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Quem não pode estar no evento de junho, vai poder conhecer Maria Eduarda agora em julho. Espero todos lá. |
sábado, 7 de julho de 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Um doce sonho
Minha filha Mariana manifestou hoje no Facebook a sua saudade. E muitos quiseram saber que sonho era esse a que ela se referia. Abaixo a história dos sonhos que o pai dela colocou em um saquinho.
Colando sonhos
E
ainda por cima entregar para as filhas comerem no recreio!!!
Colando sonhos
Era uma vez um homem. Um homem bom, carinhoso,
amoroso, o melhor. Ele amava muito sua
família. E era muito amado também.
Um dia, como sempre
fazia, ele levou suas filhinhas à escola. Elas eram pequenas, a mais velha, de
sete anos, estudava em uma escola. A menor, de cinco, estudava em outra. E se tinha uma coisa que elas gostavam demais era quando ele, ao deixá-las na escola, entregava um lanche surpresa
para cada uma delas.
Naquele dia, ele
entregou sua pequena surpresa para a mais velha e pediu que ela abrisse o
saquinho somente na hora do recreio.
Quando a maior passou
pelo portão, o pai disse para a pequena que ela também receberia o saquinho
dela. Então ela perguntou ao pai o que tinha no saquinho. Ele disse “sonhos”.
Durante todo o caminho para a sua escola, a menininha ficou pensando como o seu pai era maravilhoso
e diferente, porque conseguia tirar os sonhos sonhados à noite de sua cabeça e
colocar em saquinhos.
Ela mal conseguiu
esperar pela hora de saber qual dos seus sonhos o pai havia
capturado e colocado no saquinho.
Quando chegou o horário,
ela abriu o tão precioso saquinho com o coração batendo forte. E encontrou
dentro dele uns deliciosos sonhos comprados em uma padaria ali perto... A
menina pensou no pai e imaginou que ele deveria estar sorrindo neste momento. Colocou
o doce na boca, mastigou vagarosamente e pensou o quanto o seu pai era mesmo
maravilhoso!
Essa história é real e esse pai, Fernando, que hoje está
em outro plano, merece sim todos os nossos sonhos. Os doces, os sonhados, os
imaginados e os nascidos da saudade.
Te amamos, Fe.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Memória e generosidade
GUILHERME AUGUSTO ARAÚJO FERNANDES
Escrito por Mem Fox
Era uma vez um menino chamado Guilherme Augusto Araújo Fernandes e ele nem era tão velho assim.
Sua casa era ao lado de um asilo de velhos e ele conhecia todo mundo que vivia lá.
Ele gostava da Sra. Silvano, que tocava piano.
Ele ouvia as histórias arrepiantes, que lhe contava o Sr. Cervantes.
Ele brincava com o Sr. Valdemar, que adorava remar.
Ajudava a Sra. Mandala, que andava com uma bengala.
E admirava o Sr. Possante, que tinha voz de gigante.
Mas a pessoa que ele mais gostava era a Sra. Antônia Maria Diniz Cordeiro, porque ela também tinha quatro nomes, como ele.
Ele a chamava de Dona Antônia e contava-lhe todos os seus segredos.
Um dia, Guilherme Augusto escutou sua mãe e seu pai conversando sobre Dona Antônia.
- Coitada da velhinha - disse sua mãe.
- Por que ela é coitada? - perguntou Guilherme Augusto.
- Porque ela perdeu a memória - respondeu seu pai.
- Também, não é para menos - disse sua mãe. - Afinal, ela já tem noventa e seis anos.
- O que é memória? - perguntou Guilherme Augusto.
Ele vivia fazendo perguntas.
- É algo de que você se lembre - respondeu o pai.
Mas Guilherme Augusto queria saber mais; então, ele procurou a Sra. Silvano, que tocava piano.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo quente, meu filho, algo quente.
Ele procurou o Sr. Cervantes, que lhe contava histórias arrepiantes.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo bem antigo, meu caro, algo bem antigo.
Ele procurou o Sr. Valdemar, que adorava remar.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que o faz chorar, meu menino, algo que o faz chorar.
Ele procurou a Sra. Mandala, que andava com uma bengala.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que o faz rir, meu querido, algo que o faz rir.
Ele procurou o Sr. Possante, que tinha voz de gigante.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que vale ouro, meu jovem, algo que vale ouro.
Então Guilherme Augusto voltou para casa, para procurar memórias para Dona Antônia, já que ela havia perdido as suas.
Ele procurou uma antiga caixa de sapatos cheia de conchas, guardadas há muito tempo, e colocou-as com cuidado numa cesta.
Ele achou a marionete, que sempre fizera todo mundo rir, e colocou-a na cesta também.
Ele lembrou-se, com tristeza, da medalha que seu avô lhe tinha dado e colocou-a delicadamente ao lado das conchas.
Depois achou sua bola de futebol, que para ele valia ouro; por fim, entrou no galinheiro e pegou um ovo fresquinho, ainda quente, debaixo da galinha.
Aí, Guilherme Augusto foi visitar Dona Antônia e deu a ela, uma por uma, cada coisa de sua cesta.
"Que criança adorável que me traz essas coisas maravilhosas", pensou Dona Antônia.
E então ela começou a se lembrar.
Ela segurou o ovo ainda quente e contou a Guilherme Augusto sobre um ovinho azul, todo pintado, que havia encontrado uma vez, dentro de um ninho, no jardim da casa de sua tia.
Ela encostou uma das conchas em seu ouvido e lembrou da vez que tinha ido à praia de bonde, há muito tempo, e como sentira calor com suas botas de amarrar.
Ela pegou a medalha e lembrou, com tristeza, de seu irmão mais velho, que havia ido para guerra e que nunca voltou.
Ela sorriu para a marionete e lembrou da vez em que mostrara uma para sua irmãzinha, que rira às gargalhadas, com a boca cheia de mingau.
Ela jogou a bola de futebol para Guilherme Augusto e lembrou do dia em que se conheceram e de todos os segredos que haviam compartilhado.
E os dois sorriram e sorriram, pois toda a memória perdida de Dona Antônia tinha sido encontrada, por um menino que nem era tão velho assim.
Era uma vez um menino chamado Guilherme Augusto Araújo Fernandes e ele nem era tão velho assim.
Sua casa era ao lado de um asilo de velhos e ele conhecia todo mundo que vivia lá.
Ele gostava da Sra. Silvano, que tocava piano.
Ele ouvia as histórias arrepiantes, que lhe contava o Sr. Cervantes.
Ele brincava com o Sr. Valdemar, que adorava remar.
Ajudava a Sra. Mandala, que andava com uma bengala.
E admirava o Sr. Possante, que tinha voz de gigante.
Mas a pessoa que ele mais gostava era a Sra. Antônia Maria Diniz Cordeiro, porque ela também tinha quatro nomes, como ele.
Ele a chamava de Dona Antônia e contava-lhe todos os seus segredos.
Um dia, Guilherme Augusto escutou sua mãe e seu pai conversando sobre Dona Antônia.
- Coitada da velhinha - disse sua mãe.
- Por que ela é coitada? - perguntou Guilherme Augusto.
- Porque ela perdeu a memória - respondeu seu pai.
- Também, não é para menos - disse sua mãe. - Afinal, ela já tem noventa e seis anos.
- O que é memória? - perguntou Guilherme Augusto.
Ele vivia fazendo perguntas.
- É algo de que você se lembre - respondeu o pai.
Mas Guilherme Augusto queria saber mais; então, ele procurou a Sra. Silvano, que tocava piano.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo quente, meu filho, algo quente.
Ele procurou o Sr. Cervantes, que lhe contava histórias arrepiantes.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo bem antigo, meu caro, algo bem antigo.
Ele procurou o Sr. Valdemar, que adorava remar.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que o faz chorar, meu menino, algo que o faz chorar.
Ele procurou a Sra. Mandala, que andava com uma bengala.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que o faz rir, meu querido, algo que o faz rir.
Ele procurou o Sr. Possante, que tinha voz de gigante.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que vale ouro, meu jovem, algo que vale ouro.
Então Guilherme Augusto voltou para casa, para procurar memórias para Dona Antônia, já que ela havia perdido as suas.
Ele procurou uma antiga caixa de sapatos cheia de conchas, guardadas há muito tempo, e colocou-as com cuidado numa cesta.
Ele achou a marionete, que sempre fizera todo mundo rir, e colocou-a na cesta também.
Ele lembrou-se, com tristeza, da medalha que seu avô lhe tinha dado e colocou-a delicadamente ao lado das conchas.
Depois achou sua bola de futebol, que para ele valia ouro; por fim, entrou no galinheiro e pegou um ovo fresquinho, ainda quente, debaixo da galinha.
Aí, Guilherme Augusto foi visitar Dona Antônia e deu a ela, uma por uma, cada coisa de sua cesta.
"Que criança adorável que me traz essas coisas maravilhosas", pensou Dona Antônia.
E então ela começou a se lembrar.
Ela segurou o ovo ainda quente e contou a Guilherme Augusto sobre um ovinho azul, todo pintado, que havia encontrado uma vez, dentro de um ninho, no jardim da casa de sua tia.
Ela encostou uma das conchas em seu ouvido e lembrou da vez que tinha ido à praia de bonde, há muito tempo, e como sentira calor com suas botas de amarrar.
Ela pegou a medalha e lembrou, com tristeza, de seu irmão mais velho, que havia ido para guerra e que nunca voltou.
Ela sorriu para a marionete e lembrou da vez em que mostrara uma para sua irmãzinha, que rira às gargalhadas, com a boca cheia de mingau.
Ela jogou a bola de futebol para Guilherme Augusto e lembrou do dia em que se conheceram e de todos os segredos que haviam compartilhado.
E os dois sorriram e sorriram, pois toda a memória perdida de Dona Antônia tinha sido encontrada, por um menino que nem era tão velho assim.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
O caso do espelho
Ando falando muito da busca de nossa identidade. Costumo contar essa história em cursos, e aí digo que nos dá a exata dimensão daquilo que queremos ser. Na verdade esse é um muito bem humorado conto tradicional chinês, adaptado pelo fantástico Ricardo Azevedo. Só poderia dar uma boa história. Portanto aqui vai.
Era um homem que não sabia quase
nada. Morava longe, numa casinha de sapé esquecida nos cafundós da mata. Um
dia, precisando ir à cidade, passou em frente a uma loja e viu um espelho
pendurado do lado de fora. O homem abriu a boca. Apertou os olhos. Depois
gritou, com o espelho nas mãos:
O caso do Espelho
Era um homem que não sabia quase
nada. Morava longe, numa casinha de sapé esquecida nos cafundós da mata. Um
dia, precisando ir à cidade, passou em frente a uma loja e viu um espelho
pendurado do lado de fora. O homem abriu a boca. Apertou os olhos. Depois
gritou, com o espelho nas mãos:
- Mas o que é que o retrato de meu pai está
fazendo aqui?
- Isso é um espelho - explicou o
dono da loja.
- Não sei se é espelho ou se não
é, só sei que é o retrato do meu pai.
Os olhos do homem ficaram
molhados.
- O senhor conheceu meu pai? -
perguntou ele ao comerciante.
O dono da loja sorriu. Explicou
de novo. Aquilo era só um espelho comum, desses de vidro e moldura de madeira.
- É não! - respondeu o outro. -
Isso é o retrato do meu pai. É ele sim! Olha o rosto dele. Olha a testa. E o
cabelo? E o nariz? E aquele sorriso meio sem jeito?
O homem quis saber o preço. O
comerciante sacudiu os ombros e vendeu o espelho, baratinho. Naquele dia, o
homem que não sabia quase nada entrou em casa todo contente. Guardou,
cuidadoso, o espelho embrulhado na gaveta da penteadeira. A mulher ficou só
olhando.
No outro dia, esperou o marido
sair para trabalhar e correu para o quarto. Abrindo a gaveta da penteadeira,
desembrulhou o espelho, olhou e deu um passo atrás. Fez o sinal da cruz tapando
a boca com as mãos. Em seguida, guardou o espelho na gaveta e saiu chorando.
- Ah, meu Deus! — gritava ela
desnorteada. - É o retrato de outra mulher! Meu marido não gosta mais de mim! A
outra é linda demais! Que olhos bonitos! Que cabeleira solta! Que pele macia! A
diaba é mil vezes mais bonita e mais moça do que eu!
- Quando o homem voltou, no fim
do dia, achou a casa toda desarrumada. A mulher, chorando sentada no chão, não
tinha feito nem a comida.
- Que foi isso, mulher?
- Ah, seu traidor de uma figa!
Quem é aquela jararaca lá no retrato?
- Que retrato? - perguntou o
marido, surpreso.
- Aquele mesmo que você escondeu
na gaveta da penteadeira!
O homem não estava entendendo
nada.
- Mas aquilo é o retrato do meu
pai!
Indignada, a mulher colocou as mãos
no peito: - Cachorro sem-vergonha, miserável! Pensa que eu não sei a diferença
entre um velho lazarento e uma jabiraca safada e horrorosa?
A discussão fervia feito água na
chaleira.
- Velho lazarento coisa nenhuma!
- gritou o homem, ofendido.
A mãe da moça morava perto,
escutou a gritaria e veio ver o que estava acontecendo. Encontrou a filha
chorando feito criança que se perdeu e não consegue mais voltar pra casa.
- Que é isso, menina?
- Aquele cafajeste arranjou
outra!
- Ela ficou maluca - berrou o
homem, de cara amarrada.
- Ontem eu vi ele escondendo um
pacote na gaveta lá do quarto, mãe! Hoje, depois que ele saiu, fui ver o que
era. Tá lá! É o retrato de outra mulher!
A boa senhora resolveu, ela
mesma, verificar o tal retrato. Entrando no quarto, abriu a gaveta,
desembrulhou o pacote e espiou. Arregalou os olhos. Olhou de novo. Soltou uma
sonora gargalhada.
- Só se for o retrato da bisavó
dele! A tal fulana é a coisa mais enrugada, feia, velha, cacarenta, murcha,
arruinada, desengonçada, capenga, careca, caduca, torta e desdentada que eu já
vi até hoje!
E completou, feliz, abraçando a
filha:
- Fica tranqüila. A bruaca do retrato já está com os dois pés na cova!
sábado, 23 de junho de 2012
Clarissa e a ancestralidade
O tema ancestralidade ainda ferve em
minhas veias. Minha voz não é minha voz, é a voz de minha ancestralidade. Ela
está em mim e me faz contar histórias. Histórias de meus antepassados, histórias
do meu sangue e de minha alma. Acredito piamente nisso. A analista junguiana,
escritora e contadora de histórias, Clarissa Pinkola Estés (1992), em seu livro
Mulheres que correm como lobos, coloca-se
como “guardiã das histórias”, dadas a sua origem familiar composta por uma
longa linhagem de contadoras e a infância cercada por pessoas oriundas de
vários países da Europa e do México. Segundo ela, os componentes dessa família
de laços de sangue e agregados não tinham instrução acadêmica alguma, mas
carregavam uma extrema sabedoria e uma valiosa tradição quase que exclusivamente
oral. Também acredito profundamente nisso. E é Clarissa quem nos dá uma das
mais belas imagens sobre a ancestralidade das histórias nesse trecho do livro:
Uma vez sonhei que estava contando
histórias e sentia alguém dando tapinhas no meu pé para me incentivar. Olhei
para baixo e vi que estava em pé nos ombros de uma velha que segurava meus
tornozelos e sorria para mim. “Não, não”, disse-lhe eu. “Venha subir nos meus
ombros, já que a senhora é velha e eu sou nova”. “Nada disso”, insistiu ela. “É
assim que deve ser”. Percebi que ela também estava em pé nos ombros de uma
mulher ainda mais velha do que ela, que estava nos ombros de uma mulher usando
manto, que estava nos ombros de outra criatura, que estava nos ombros...
Acreditei no que disse a velha do sonho a respeito do como as coisas devem ser.
A energia para contar histórias vem daquelas que já se foram. Contar ou ouvir
histórias deriva sua energia de uma altíssima coluna de seres humanos
interligados através do tempo e do espaço, sofisticadamente trajados com
farrapos, mantos ou com a nudez de sua época, e repletos a ponto de
transbordarem de vida ainda sendo vivida. Se existe uma única fonte e um
espírito das histórias ela está nessa longa corrente de seres humanos.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Ancestralidade e o arroz de Palma
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quarta-feira, 13 de junho de 2012
Maria Eduarda e outros amigos
Foi uma noite linda! Um auditório lotado nos ouviu. E contamos nossas histórias lindamente. É porque a emoção era tanta, nossos livros chegando, pessoas queridas conosco, sonhos se realizando e, claro, muitas histórias guardadas em nossas almas e corações. Não poderia ser melhor. Foi o primeiro lançamento de Maria Eduarda, a menina que devorou o mundo. Digo primeiro, porque outros eventos já estão marcados: o próximo será no dia 22 de julho, na Livraria da Vila da Alameda Lorena. Depois, no dia 29 de julho, na mesma livraria, na loja da rua Fradique Coutinho. Vejam se não é para ficar muito feliz!
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